Projeto em destaque · Cultural · Patrimônio

Centro Cultural Treze de Maio

Dois lotes vizinhos na rua Treze de Maio, no coração do Bixiga: um sobrado do início do século XX, tombado pelo Conpresp, e um terreno vazio em sua área de envoltória. O projeto reforma o bem tombado e propõe ao lado uma nova arquitetura, unindo os dois num centro cultural aberto à cidade.

Corte longitudinal: palco no subsolo, exposição, eventos no terraço e escadas que conectam os níveis
Corte longitudinal: do palco no subsolo ao terraço de eventos

Local

Rua Treze de Maio, Bixiga · Bela Vista, São Paulo – SP

Ano

2023 – 2024

Escopo

Pesquisa histórica, levantamento, diagnóstico de conservação, projeto de intervenção e memorial para o Conpresp

Para acessar o novo, deve-se entrar pelo antigo.
A rua do samba convida a cidade, pois é ela sua própria continuidade.

Taís Ossani, versos sobre o conceito do projeto, 2024

01 · Pesquisa

Reconhecer antes de intervir

O projeto começou por uma investigação sobre os dois lotes e o bairro. A pesquisa percorreu a resolução de tombamento da Bela Vista e o inventário IGEPAC, o Arquivo Histórico Municipal, o arquivo Aguirra no Museu Paulista, transcrições de cartório, jornais antigos e entrevistas. Com esse material foi possível reconstituir a evolução das plantas desde 1916 e entender o que, no sobrado, ainda guarda as feições das moradias e armazéns dos imigrantes do início do século XX.

Um levantamento métrico-arquitetônico e um registro fotográfico do estado de conservação completaram o diagnóstico.

Do memorial apresentado ao Conpresp

“O objetivo projetual considera a arquitetura tombada, a ser reformada, em conjunto com a proposição de uma nova arquitetura ao lado, em área de envoltória.”

“Para propor um desenho respeitoso ao local, em harmonia com o conjunto de arquiteturas tombadas do Bixiga, foram estudadas referências bibliográficas acadêmicas, jornais antigos, resoluções legislativas, bem como investigações nos cartórios, no Arquivo Histórico Municipal e no Arquivo do Museu Paulista.”

“Há de se projetar algo compatível com o volume do entorno, não ofuscando o bem tombado, ao contrário, privilegiando-o.”

A Resolução 22/2002 do Conpresp, que tomba o bairro da Bela Vista, reconhece a homogeneidade do conjunto construído no Bixiga. O sobrado tem preservação parcial, que mantém suas características externas, a ambiência e a coerência com o entorno; o terreno vizinho, em área envoltória, tem volumetria, gabarito e recuos sob controle.

02 · Partido

O antigo e o novo, um diante do outro

A fachada frontal do sobrado, o elemento que melhor preserva as características do início do século XX, permanece integralmente e passa a ser a porta de entrada do conjunto. A nova arquitetura se alinha aos níveis dos pavimentos do bem tombado, mantém o recuo frontal registrado no mapa Sara Brasil de 1930 e retoma o ritmo das janelas de madeira em quatro partes. A varanda existente se prolonga até o volume novo, ligando fisicamente as duas construções.

Elevação frontal: a nova arquitetura em taipa de pilão, vidro e chapa perfurada ao lado do sobrado tombado
Elevação frontal: taipa de pilão, vidro e chapa perfurada ao lado do sobrado

Entre os volumes, um pátio retoma o espaço comum das casas de imigrantes italianos e garante que um edifício possa ser visto a partir do outro em todos os níveis. No térreo, a rua do samba prolonga a calçada para dentro do terreno e organiza o percurso por todo o programa. Dentro do sobrado, a escada muda de lugar e ganha estrutura metálica, afastando-se da fachada para que ela também possa ser contemplada por dentro.

Fachada frontal: a nova arquitetura ao lado do sobrado tombado, com recuo e alinhamento dos pavimentos
Fachada: nova arquitetura e sobrado tombado alinhados
Vista interna do sobrado: nova escada metálica afastada da fachada histórica, vista por dentro
A escada metálica e a fachada vista por dentro

03 · Desenhos

Do subsolo ao terraço

Elevação lateral do Centro Cultural Treze de Maio: volume em taipa de pilão, escada em chapa perfurada e a junção com o sobrado tombado
Elevação lateral: o volume em taipa de pilão, a escada em chapa perfurada e a junção com o sobrado tombado
Planta do térreo com a rua do samba atravessando o terreno, palco, cozinha aberta, espaço pedagógico e áreas permeáveis
Planta do térreo: a rua do samba atravessa o terreno

Um térreo inteiramente público

Sobrado tombado. Cozinha aberta dedicada a receitas de matriz africana e regionais, espaço pedagógico para famílias e crianças e, no pavimento superior, a sede de trabalho do coletivo cultural.

Nova arquitetura. Palco com arquibancada metálica móvel entre o térreo e o subsolo, sala acústica para gravações e ensaios, espaço de exposições e um terraço para eventos.

Cidade e permeabilidade. Térreo sem desníveis, elevador e banheiros acessíveis e para famílias. A área permeável do conjunto passa de cerca de 26% para 40%.

Trabalha com um imóvel tombado ou em área de envoltória?

Pesquisa histórica, relatórios para Conpresp e Condephaat e projetos de intervenção: contato@ossaniarq.com.br. Veja também a pesquisa acadêmica que acompanha a prática.